Para a maioria da classe trabalhadora, garantia de estabilidade de emprego quer dizer também garantir vaga em um dos diversos concursos públicos
oferecidos todos os anos na região. Por conta dessa idealização, há
quem tome para si a garantia dessa vaga como principal objetivo de vida.
Experiente no ramo, o professor de cursinhos preparatórios para
concursos públicos Waldecir Mago diz que “concurseiro” - termo já
comumente utilizado para esses candidatos, tamanha a quantidade
existente de dedicados a essa prática - já parece até ter se tornado uma
profissão levada muito a sério. “Tem gente que passa o dia inteiro aqui
no cursinho. Tempo integral mesmo. Hoje, parece mesmo uma profissão
tomada como objetivo de vida, alcançar vaga num concurso”, contou.
Aberta a temporada de caça
às vagas nos concursos, a boa notícia é que o cenário regional tem
apresentado muitas oportunidades para quem busca um “lugar ao sol
concurseiro”. Este ano, a região Norte dispõe de 2.374 oportunidades com
salários que podem chegar a R$ 21,7 mil. Só no Pará, são dez concursos
com inscrições abertas, destacando os da Universidade Federal do Pará
(UFPA) e da Universidade Rural da Amazônia (Ufra).
Na Ufra, são 38 vagas com salários que podem chegar a R$ 8.422,77. Já quem não vê problemas em sair do Estado
para concorrer a uma vaga pode ainda arriscar a sorte no vizinho Estado
do Amazonas. Lá, atualmente, são onze certames em andamento e um total
de 1.050 vagas disponíveis. “Um estado que também vem acenando com
muitas vagas é o Amapá. Lá, a Universidade do Estado do Amapá oferta 122
vagas para o técnico [nível médio] com salários de pelo menos R$
3.609,52 e 81 vagas para professor [nível superior], com salário de R$
9.253,44”, alertou Waldecir.
De acordo com
o professor Mago, boas apostas também são os concursos federais. Ele
contou que são 47 mil vagas disponibilizadas nos concursos dessa
esfera.
Bons vizinhos
Com o crescimento da procura pelos
concursos, o professor prevê que em pouco tempo a prática de participar
de seletivas para concursos públicos deve igualar-se às por
universidades. “As cidades terão novos moradores devido a essas
localidades disponibilizarem boa quantidade de vagas para concursos
públicos. Minha opinião é que em breve serão como as universidades, que
possuem cidades-universitárias”, afirmou Mago.
Sobre aventurar-se em estados vizinhos para
garantia de vagas, o professor garantiu: “Vale, sim, muito a pena, pois
muitas vezes o deslocamento nem é tão caro e o concursado vai poder
garantir sua estabilidade financeira sem muito sacrifício”, garantiu.
“Para mim, o concurso público é a forma mais
democrática de praticar a igualdade. Ele garante ao trabalhador a
estabilidade, seja ela independente de raça, posição social etc”, afirma
o professor Waldecir, ressaltando ainda que, assim como as
universidades, desde o fim do ano passado já vigora o amparo por lei de
percentuais de cotas para afrodescendentes em concursos públicos.
Fonte: (Diário do Pará)
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